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AVERSÃO AO BREXIT ALIMENTA A CORRIDA DOS INVESTIDORES AO OURO

2016-07-08 10:48:44

Os períodos de instabilidade na economia e nos mercados financeiros conduzem habitualmente os investidores a uma corrida ao ouro. O que se está a passar desde o voto favorável ao Brexit há cerca de duas semanas atesta essa realidade. Os receios em torno dos riscos para a economia global resultantes da saída do Reino Unido estão a levar os investidores a procurar refúgio no “metal amarelo” conduzindo a fortes subidas da respectiva cotação.

Desde o dia 23 de Junho, o preço da onça de ouro já aumentou em quase 100 dólares (+7,5%), para se fixar em máximos de mais de dois anos apesar da cotação ter aliviado ontem até aos 1.357,33 dólares a que cotava no fecho desta edição. Isto depois de no dia anterior, a matéria-prima ter chegado a valorizar até aos 1.375 dólares/onça, um máximo de Março de 2014. Os ganhos das últimas sessões estendem para 28% a valorização alcançada pelo ouro desde o início do ano, sendo que no mercado já há especialistas a apostarem num novo ciclo de subidas para a ‘commodity’.

O UBS é um desses exemplos. O banco de investimento suíço acaba de rever em alta as suas estimativas para o preço do ouro, definindo como ‘target’ de curto prazo os 1.400 dólares/onça, acima da anterior previsão de 1.250 dólares. Para a segunda metade deste ano, o UBS antecipa que a matéria-prima atinja um preço médio de 1.340 dólares/onça. “O ouro entrou provavelmente numa fase inicial do próximo ciclo de subidas”, escreveu numa nota desta quarta-feira o analista do UBS, Joni Teves, defendendo que “esta tendência deverá agora aprofundar-se, atraindo novos participantes e encorajando outros que têm hesitado em envolver-se mais”.

A subida da aversão ao risco por parte dos investidores é ilustrada pela aposta dos gestores de activos na subida dos futuros do ouro que, segundo dados do governo norte-americano, está em máximos de pelo menos o ano de 2006. Dados da Bloomberg, mostram que o investimento dos ETF (Exchange traded fundos) que apostam em ouro atingiu no final de Junho 1.959 toneladas métricas da matéria-prima, o que corresponde a uma subida de 501 toneladas métricas face ao valor que existia no início deste ano. Só na semana passada, os gestores destes produtos reforçaram a sua aposta no “metal amarelo” em 37 toneladas. Já na última terça-feira, o maior ETF do mundo sobre o ouro, o SPDR Gold Shares, registou a maior subida diária das suas participações em mais de seis anos. Estas subiram em 28,8 toneladas, para 982,72 toneladas, o patamar mais elevado desde Junho de 2013.

Os receios dos investidores face ao impacto do Brexit reforçaram-se ainda mais, depois de esta semana quatro fundos de investimento imobiliário no Reino Unido terem suspendido a negociação perante o fluxo anormal de clientes a tentar resgatar os seus investimentos, temendo a saída de grandes empresas do reino e um consequente impacto negativo sobre os preços do imobiliário.

“Ninguém é capaz de perceber a dimensão do risco que ainda falta ser revelado [relativamente ao Brexit]. Esta é uma incerteza que ninguém gosta. Isto é o que está a conduzir a subida dos preços do ouro”, afirmou ontem de manhã Helen Lau, analista da Argonaut Securities, em Hong Kong.

Contudo, nem todos os analistas partilham de uma posição tão ‘bullish’ relativamente à evolução das cotações do ouro. É o que acontece, por exemplo, com o Credit Suisse. Numa nota emitida na semana passada, o estratega Jack Siu, assumiu que o Credit Suisse tem uma posição neutral face ao rumo do metal precioso, apontando com uma estimativa de preço de 1.300 dólares/onça, para os próximos três meses, e de 1.1150 dólares para os próximos 12 meses. "Atendendo ao fraco mercado primário, o ouro depende do interesse do investidor, o que torna o mercado volátil”, escreveu Jack Siu.

Fonte: Diário Económico

 

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